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Artigos que contam a história da pneumologia.

ANVISA APROVA VACINA PNEUMOCÓCICA CONJUGADA 21-VALENTE PARA ADULTOS NO BRASIL

Data de Publicação: 05/10/2026

ANVISA APROVA VACINA PNEUMOCÓCICA CONJUGADA 21-VALENTE PARA ADULTOS NO BRASIL

 

Nova vacina foi desenvolvida especificamente para a epidemiologia da doença pneumocócica no adulto e apresenta composição de sorotipos diferente da PCV20

- por Dr. Mauro Gomes

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o registro no Brasil da Capvaxive, vacina pneumocócica conjugada 21-valente (PCV21), para prevenção de doença pneumocócica invasiva e pneumonia causadas pelo Streptococcus pneumoniae em adultos a partir dos 18 anos de idade. A aprovação foi publicada em 28 de setembro de 2026.

A chegada da PCV21 amplia as possibilidades de prevenção da doença pneumocócica no adulto, especialmente relevante para a pneumologia. Pneumonia pneumocócica e doença pneumocócica invasiva apresentam maior impacto com o avanço da idade e entre pacientes com doenças crônicas, incluindo doenças pulmonares crônicas, além de cardiopatias, diabetes, doença renal e condições associadas à imunossupressão.

PCV21 NÃO É SIMPLESMENTE UMA PCV20 COM UM SOROTIPO A MAIS

Apesar dos nomes, a principal diferença entre PCV20 e PCV21 não está apenas no número de sorotipos. As duas vacinas possuem composições substancialmente diferentes.

A PCV21 foi desenvolvida especificamente para atingir sorotipos responsáveis pela doença pneumocócica residual entre adultos, inclusive alguns que não estavam contemplados nas vacinas conjugadas anteriores. Segundo a Anvisa, a formulação contém sorotipos associados à doença pneumocócica no adulto que não estão presentes nas demais vacinas pneumocócicas atualmente disponíveis, incluindo 15A, 16F, 23A, 23B, 24F, 31 e 35B, além do componente OAc15B, estruturalmente relacionado ao 15C.

Ao mesmo tempo, alguns sorotipos presentes na PCV20 não fazem parte da PCV21. Portanto, não existe uma progressão simples PCV13 → PCV15 → PCV20 → PCV21 na qual cada nova vacina apenas acrescenta sorotipos às anteriores.

No estudo fase 3 STRIDE-3, que comparou diretamente a PCV21 com a PCV20 em adultos, dez sorotipos foram considerados compartilhados entre as formulações e 11 específicos da PCV21. A nova vacina demonstrou resposta imunológica não inferior à PCV20 para os sorotipos compartilhados e resposta superior para dez dos 11 sorotipos específicos da PCV21. O perfil de segurança foi semelhante entre as vacinas.

POR QUE ESSA DIFERENÇA PODE SER IMPORTANTE?

A composição da PCV21 reflete um conceito cada vez mais importante na vacinação pneumocócica: mais importante do que simplesmente aumentar a valência é selecionar os sorotipos que atualmente causam doença na população que se pretende proteger.

Programas de vacinação infantil modificaram profundamente a epidemiologia do pneumococo por meio da proteção direta e do efeito indireto sobre a circulação de determinados sorotipos. Com o tempo, outros sorotipos passaram a representar parcela relevante da doença pneumocócica residual nos adultos.

Dados recentes de vigilância da América Latina reforçam essa questão. Uma análise publicada em 2026 utilizando dados do sistema SIREVA II de Brasil, Argentina e México mostrou maior cobertura potencial da doença pneumocócica invasiva do adulto pelos sorotipos incluídos na PCV21 em comparação com a PCV20. Entre adultos com 50–59 anos, os sorotipos da PCV21 representaram aproximadamente 67%–72% dos casos, contra 59%–63% para a PCV20; entre aqueles com 60 anos ou mais, as proporções foram de 55%–69% e 46%–61%, respectivamente. Os resultados devem ser interpretados como cobertura potencial de sorotipos, e não como medida direta de efetividade clínica, e o estudo contou com participação e financiamento do fabricante da PCV21.

Para a pneumologia, a ampliação da prevenção pneumocócica tem particular relevância entre idosos e pessoas com DPOC e outras doenças respiratórias crônicas, populações nas quais episódios de pneumonia podem resultar não apenas em hospitalização e mortalidade, mas também em descompensação da doença de base e perda funcional.

A aprovação brasileira, entretanto, representa o registro sanitário da vacina. Ela não significa automaticamente sua incorporação ao Programa Nacional de Imunizações (PNI), nem estabelece por si só qual vacina deverá ser preferencialmente utilizada para cada grupo. Recomendações nacionais e eventual incorporação ao sistema público dependem de avaliações e decisões específicas posteriores.

A chegada da PCV21 ao Brasil acrescenta, portanto, uma nova estratégia à prevenção da doença pneumocócica no adulto. Mais do que oferecer “um sorotipo a mais”, a vacina introduz uma composição direcionada à epidemiologia atual da doença pneumocócica nessa faixa etária, reforçando a tendência de tornar a vacinação cada vez mais orientada pelo perfil de sorotipos responsáveis pela doença residual.

FONTES:

Referências

  1. Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Anvisa aprova vacina contra 21 sorotipos da bactéria causadora de pneumonia e meningite. Publicado em 28 set 2026.

  2. Platt HL, Bruno C, Buntinx E, et al. Safety, tolerability, and immunogenicity of an adult pneumococcal conjugate vaccine, V116 (STRIDE-3): a randomised, double-blind, active comparator controlled, international phase 3 trial. Lancet Infect Dis. 2024;24(10):1141-1150. doi:10.1016/S1473-3099(24)00344-X.

  3. Martino A, Urrego-Reyes J, Cervenka J, Paluru MK, Cossrow N. Invasive pneumococcal disease in Latin America: serotype distribution and vaccine coverage among adults in Mexico, Brazil, and Argentina. Vaccine. 2026;88:128947. doi:10.1016/j.vaccine.2026.128947.

  4. Centers for Disease Control and Prevention. Evidence to Recommendations Framework: PCV21 in adults aged ≥19 years. Advisory Committee on Immunization Practices.


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