CORTICÓIDE INALADO FAVORECE PNEUMONIA EM CRIANÇAS? LEIA OS RESULTADOS DA METANÁLISE
Data de Publicação: 03/07/2017

Os corticosteroides inalados (CSI) são frequentemente usados para o tratamento da asma e da doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), e são geralmente considerados seguros e bem tolerados, tanto em crianças como em adultos. No entanto, estudos recentes mostraram um aumento do risco de pneumonia em pacientes adultos com DPOC. Poucos estudos avaliaram essa associação em pacientes com asma. De fato, uma recente metanálise mostrou um efeito protetor do uso dos CSI sobre o desenvolvimento de pneumonia em pacientes com asma, mas esses resultados devem ser interpretados com cautela, porque o termo pneumonia e pneumonite foi usado de forma semelhante e a busca de estudos restringiu-se a pacientes adultos.
O objetivo dos autores desse estudo foi realizar uma revisão sistemática com metanálise de ensaios randomizados para avaliar a associação entre o uso regular dos CSI e o risco de pneumonia em crianças com diagnóstico de asma. Foram incluídos 31 ensaios que incorporaram 11.615 participantes, dos quais 7465 pertenciam ao grupo com corticosteroides e 4150 ao grupo com Placebo.
Todos os estudos incluídos foram randomizados, duplo-cego e controlados com Placebo. Todos, exceto quatro estudos, foram financiados pela indústria farmacêutica. Foram avaliados 5 CSI diferentes (beclometasona, budesonida, ciclesonida, fluticasona e mometasona ) administrados em uma dose diária baixa e intermediária. A duração da Intervenção variou de 4 semanas a 3 anos.
A metanálise de 31 ensaios não mostrou nenhuma diferença na taxa de pneumonia entre o uso dos CSI e o grupo do Placebo. Também não mostrou uma dose-resposta significativa com o uso de CSI e o risco de infecção respiratória. De fato, mostrou-se uma relação inversa entre a dose de CSI e o risco de otite Média.
Como conclusão, essa metanálise mostra que o uso regular de corticosteroides inalados não aumenta o risco de pneumonia ou outras infecções respiratórias em crianças com diagnóstico de asma.
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FONTE: Cazeiro C et al. Pediatrics. 2017 Mar; 139(3). pii: e20163271.