Data de Publicação: 11/11/2025

A nova edição da Global Initiative for Chronic Obstructive Lung Disease (GOLD 2026) acaba de ser divulgada, apresentando uma das atualizações mais amplas da última década. O documento foi completamente reestruturado e inclui novas figuras, fluxogramas e conceitos que podem redefinir o diagnóstico e o tratamento da DPOC em todo o mundo — inclusive no Brasil.
A GOLD 2026 amplia o conceito de avaliação, introduzindo a noção de “atividade da doença”, que vai além da gravidade da obstrução. A meta prática passa a ser atingir atividade baixa, definida por ausência de exacerbações, ausência de piora de sintomas e sem aceleração da perda de função pulmonar ao longo do tempo.
A classificação A–B–E foi refinada: mesmo uma exacerbação moderada ou grave no último ano, antes do início da terapia de manutenção, já eleva o risco futuro e desloca o paciente para o grupo E, mudança que deve orientar decisões mais precoces de prevenção de novos eventos. O objetivo explícito passa a ser alcançar “atividade baixa de doença”, expressa pela ausência completa de exacerbações. Agora, mesmo uma única exacerbação moderada ou grave antes do início da terapia de manutenção já é considerada marcador de risco, indicando a necessidade de reavaliação e possível escalonamento terapêutico.
Os novos algoritmos clínicos diferenciam de forma mais clara o tratamento inicial (para pacientes ainda sem terapia de manutenção) do tratamento de seguimento (para pacientes já em uso regular de broncodilatadores ou combinações).
Entre as novidades práticas, há a opção de adicionar ensifentrina (inibidor PDE3/4, atualmente disponível apenas nos EUA) em casos de dispneia persistente apesar de dupla broncodilatação.
A GOLD 2026 também introduz nova figura dedicada às terapias biológicas, refletindo a incorporação progressiva de evidências de estudos com agentes como dupilumabe e mepolizumabe em subgrupos com inflamação eosinofílica e exacerbações recorrentes apesar de LABA+LAMA+CI; a indicação proposta exige eosinófilos ≥300/µL, com detalhamento por fenótipo de bronquite crônica.
O capítulo sobre prevenção e imunização foi atualizado com as novas vacinas contra o vírus sincicial respiratório (RSV) e revisões das recomendações para influenza, pneumococo e COVID-19.
Além disso, o texto sobre multimorbidade foi completamente revisto, reforçando que a DPOC deve ser abordada de forma integrada com doenças cardiovasculares, metabólicas e psiquiátricas.
O capítulo 6 do novo documento GOLD descreve casos de uso de IA em diagnóstico, estratificação de risco e apoio à decisão, além de modelos de telehealth e reabilitação virtual — com benefícios potenciais e limitações/risco claramente assinalados.
Para o contexto brasileiro, as mudanças da GOLD 2026 exigem atenção especial a três pontos:
Identificação precoce de risco e atividade da doença, com a mudança de corte para uma exacerbação no último ano, pode antecipar a introdução de terapias combinadas;
A incorporação de vacina contra o VSR e os critérios de biológicos dependem de aprovação regulatória e de incorporação em protocolos nacionais (público e privado), com provável impacto em atualização do PCDT de DPOC e em políticas de cobertura.
A formalização de IA e telemonitorização na GOLD sustenta a ampliação de projetos-piloto em centros de referência (interpretação de espirometria assistida por algoritmo, monitoramento remoto e reabilitação virtual).
A nova diretriz já está disponível para download gratuito no site oficial da GOLD (goldcopd.org) e você pode também ter o link direto navegando pela nossa Central de Downloads.
A nova GOLD será tema de análise detalhada no nosso próximo Mesacast, que será realizado ao vivo no dia 27/11, a partir das 20h, exclusivo no PNEUMOFLIX. Traremos dois especialistas discutindo o que realmente muda no tratamento da DPOC no Brasil com a nova GOLD e o novo PCDT.