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METANÁLISE QUESTIONA EFICÁCIA DE CANABINOIDES EM TRANSTORNOS MENTAIS

Data de Publicação: 17/03/2026

METANÁLISE QUESTIONA EFICÁCIA DE CANABINOIDES EM TRANSTORNOS MENTAIS

 

- por Dr. Mauro Gomes

Uma extensa revisão sistemática e meta-análise publicada recentemente no The Lancet Psychiatry levanta sérias questões sobre a eficácia e segurança do uso de canabinoides para o tratamento de transtornos mentais e transtornos por uso de substâncias (SUDs). O estudo, liderado por Jack Wilson e Emily Stockings da Universidade de Sydney, analisou 54 ensaios clínicos randomizados (RCTs), envolvendo 2477 participantes, para avaliar o papel dos canabinoides como tratamento primário para essas condições [1].

Os pesquisadores buscaram evidências em publicações entre 1980 e maio de 2025, focando na remissão ou redução dos sintomas dos transtornos. A segurança foi avaliada pela síntese de eventos adversos, incluindo eventos graves. Os resultados revelaram que, para a maioria das condições, a evidência de eficácia dos canabinoides é limitada ou inexistente, e a qualidade da evidência foi geralmente baixa [1].

Principais Achados do Estudo:

  • Transtorno por Uso de Cannabis: Uma combinação de canabidiol (CBD) e delta-9-tetrahidrocanabinol (THC) demonstrou reduzir sintomas de abstinência e o uso semanal de cannabis. No entanto, a qualidade da evidência para este achado foi considerada baixa [1].
  • Insônia, Síndrome de Tourette e Autismo: Houve algumas evidências de que canabinoides podem aumentar o tempo de sono em casos de insônia, reduzir a gravidade de tiques na Síndrome de Tourette e diminuir traços autistas. Contudo, a qualidade da evidência para esses benefícios também foi baixa [1].
  • Efeitos Negativos: Em pacientes com transtorno por uso de cocaína, os canabinoides foram associados a um aumento no desejo (craving) pela substância [1].
  • Sem Efeito Significativo: Não foram observados efeitos significativos para ansiedade, anorexia nervosa, transtornos psicóticos, transtorno de estresse pós-traumático (TEPT) e transtorno por uso de opioides [1].
  • Ausência de Evidências: Para depressão, não foram encontrados RCTs que avaliassem a eficácia dos canabinoides como tratamento primário. Para TDAH, transtorno bipolar, TOC e tabagismo, os dados foram insuficientes para meta-análise [1].

Segurança e Eventos Adversos:

A análise de segurança indicou que o uso de canabinoides foi associado a um risco 1,75 vezes maior de eventos adversos de qualquer causa em comparação com o grupo controle, com um Número Necessário para Tratar para causar Dano (NNTH) de 7. Isso significa que, para cada 7 pacientes tratados com canabinoides, um experimentaria um evento adverso que não ocorreria no grupo controle. No entanto, não houve aumento significativo no risco de eventos adversos graves ou de desistência do estudo [1].

 

Os resultados desta meta-análise são cruciais para a prática clínica, especialmente em um cenário onde a autorização e o uso de canabinoides para transtornos mentais e SUDs têm crescido globalmente. A falta de evidências robustas e de alta qualidade para a maioria das indicações, aliada ao risco aumentado de eventos adversos, sugere que a prescrição rotineira de canabinoides para essas condições é raramente justificada. Médicos e profissionais de saúde devem considerar cuidadosamente a base de evidências antes de recomendar ou prescrever canabinoides, priorizando tratamentos com eficácia e segurança comprovadas por estudos de alta qualidade.

 

Referência:

[1] Wilson, J., Dobson, O., Langcake, A., Mishra, P., Bryant, Z., Leung, J., Dawson, D., Graham, M., Teesson, M., Freeman, T. P., Hall, W., Chan, G. C. K., & Stockings, E. (2026). The efficacy and safety of cannabinoids for the treatment of mental disorders and substance use disorders: a systematic review and meta-analysis. The Lancet Psychiatry. DOI: 10.1016/S2215-0366(26)00015-5

 


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