NÃO HÁ BENEFÍCIO NO USO SUPLEMENTAR DE OXIGÊNIO EM INFARTO AGUDO DO MIOCÁRDIO SEM HIPOXEMIA
Data de Publicação: 27/10/2017

O valor do oxigênio suplementar em pacientes normoxêmicos (saturação de oxigênio ≥ 90%) com suspeita de infarto agudo do miocárdio (IAM) tem sido debatido há anos. A melhor evidência sobre os possíveis benefícios e danos da terapia de oxigenoterapia suplementar vem do estudo aberto DETO2X-AMI publicado recentemente.
Nesse estudo, 6629 pacientes com suspeita de IAM e uma saturação de oxigênio de 90% ou mais foram distribuídos aleatoriamente para receber oxigênio suplementar (6 litros/min durante 6 a 12 horas, entregues através de uma máscara facial aberta) ou ar ambiente. Não houve diferença nas mortes de qualquer causa dentro de um ano (5,0 contra 5,1%, HR: 0,97, IC 95% 0,79-1,21). Além disso, não houve diferença na taxa de re-hospitalização por IAM em um ano (3,8 versus 3,3%, HR: 1,13, IC 95% 0,88-1,46). Uma revisão Cochrane de 2016 que avaliou cinco ensaios envolvendo 1173 pacientes com IAM presumido que foram distribuídos aleatoriamente para oxigênio suplementar ou ar ambiente já não havia encontrado diferença significativa na mortalidade por todas as causas.
Deve-se administrar oxigênio suplementar a pacientes com saturação arterial inferior a 90%, incluindo aqueles com insuficiência cardíaca, ou aqueles com outras características de alto risco para hipóxia. O oxigênio suplementar em pacientes sem hipóxia não demonstrou levar a benefícios ou danos e tem as desvantagens do desconforto de uso e custo.
Para ler sobre a suplementação de O2 para pacientes com DPOC leve, clique aqui.
FONTE: Hofmann R, James SK, Jernberg T, et al. Oxygen Therapy in Suspected Acute Myocardial Infarction. N Engl J Med 2017; 377:1240.