DESTAQUES DA ATS-2017: O QUE HÁ DE MAIS ATUAL EM MICROBIOMA PULMONAR
Data de Publicação: 24/05/2017

O microbioma pulmonar é o assunto da moda na Pneumologia e a ATS-2107 dedicou uma sessão do Year in Review apenas para fazer uma atualização sobre o que há de mais recente sobre o assunto.
Asma leve é associada hoje com uma alteração do microbioma bacteriano brônquico até mesmo na ausência do uso do corticóide inalado (CI). Estudo multicêntrico demonstrou que indivíduos alérgicos sem asma também possuem um padrão de microbioma brônquico que difere daquele de tantos indivíduos normais como asmáticos. A análise dos efeitos do CI sobre o microbioma de asmáticos é limitada pelo tamanho da amostragem, mas foi controlada por placebo e demonstrou que o microbioma de asmáticos que usam CI também é alterado. O padrão da colonização também é diferente nos asmáticos que respondem à terapia com CI e aqueles que não respondem.
Em DPOC, estudos demonstraram que há uma microbiota bacteriana diferente nos pacientes com o perfil exacerbador. No entanto, esses achados ainda não estão interiamente claros. As exacerbações eosinofílicas não foram relacionadas com mudanças significativas na composição bacteriana do escarro.
Microaspiração é um tema que ganhou bastante destaque na ATS-2017 e isso tem tudo a ver com o microbioma. Como a microaspiração é comum, é natural pensar que ela possa influenciar a composição dessa flora. Estudos com lavado broncoalveolar demonstraram que em indivíduos saudáveis há uma associação entre o enriquecimento pulmonar por bactérias da via aérea superior e as respostas imunes dos pulmões (padrão de colonização supraglótica). Os mecanismos como as bactérias das vias aéreas superiores induzem a resposta do hospedeiro ainda não são claros, assim como também não são claras as conseqüências disso sobre o estado de saúde ou de doença.
O microbioma parece exercer também influência sobre os resultados do transplante de pulmão e podem modelar a resposta imune no órgão transplantado. Há padrões de disbiose que estão mais relacionados a estados pró-inflamatórios ou de remodelamento.
Em Fibrose Pulmonar Idiopática (FPI) possivelmente há interações entre a microbiota pulmonar e as vias de defesa do hospedeiro, o que pode interferir no padrão de resposta dos fibroblastos e também se relaciona com os fenótipos dos leucócitos. Há evidências que sugerem um papel dessas interações nos resultados de sobrevivência em FPI.
Em bronquiectasias não-fibrocsísticas há genótipo (FUT2) que determina pior prognóstico dos doentes. As relações desse padrão genético foram associadas com um padrão dominante por Pseudomonas aeruginosa. Para bronquiectásicos não secretores ou sem padrão dominante por P. aeruginosa, o papel do microbioma na doença não é claro.
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