DESTAQUES DO CHEST 2015: FIBROSE PULMONAR IDIOPÁTICA ASSOCIADA A OUTRAS DOENÇAS
Data de Publicação: 27/10/2015

REFLUXO GASTRESOFÁGICO
Refluxo gastresofágico (RGE) é a doença associada mais comum em portadores de Fibrose Pulmonar Idiopática (FPI) e deve ser tratado em todos os pacientes. Há maior prevalência de RGE nos portadores de FPI que na população geral e essa relação ainda não foi completamente esclarecida. Em grande parte das vezes (40%), o RGE é assintomático. O uso de Inibidores de Bomba de Prótons (IBP) mostrou reduzir a inflamação e a progressão da doença, e o tratamento cirúrgico por fundoplicatura estabilizou a necessidade do uso do oxigênio. As últimas diretrizes para o tratamento da FPI de 2015 recomendam o uso de IBPs para todos os pacientes portadores de FPI, mesmo na ausência de sintomas de RGE.
APNEIA OBSTRUTIVA DO SONO
Apneia Obstrutiva do Sono (AOS) é mais prevalente em pacientes com FPI que em portadores de DPOC ou mesmo na população geral e a piora do sono agrava a sensação de fadiga nesses doentes. Entre os idosos com FPI, a taxa de AOS grave pode atingir até 68% dessa população. Os doentes com FPI devem ser triados com relação à AOS no mínimo com uma oximetria noturna. Apesar de alguns questionamentos com relação à possibilidade do CPAP levar a uma hiperdistensão e causar dano alveolar e contribuir para a fibrose pulmonar, o uso desses aparelhos mostrou ser benéfico e melhora a qualidade de vida dos pacientes com FPI.
HIPERTENSÃO PULMONAR
Hipertensão pulmonar (HP) é uma complicação grave da FPI e com impacto negativo no estado funcional e na qualidade de vida. Como os sintomas das duas condições se superpõem, é preciso manter um alto grau de suspeição para o correto diagnóstico. Investigação de HP deve ser realizada quando os sintomas forem desproporcionais à gravidade das lesões parenquimatosas causadas pela FPI.
Há pouca perspectiva de tratamento para HP em pacientes com FPI e isso se relaciona com pior prognóstico. Doentes que dessaturam abaixo de 89% no teste de caminhada de 6 minutos vivem menos em 4 anos (35%) em comparação àqueles que não dessaturam (68%). A pressão de artéria pulmonar verificada pelo ecocardiograma também se correlaciona com sobrevivência: valores menores que 50mmHg possuem maior tempo de vida (mais que 4 anos) em relação a valores maiores que 50mmHg, cujo tempo médio de vida é de pouco mais de seis meses.
O uso de drogas vasoativas (como bosentana e sildenafil) nos pacientes com FPI e HP podem agravar a hipoxemia e não devem ser utilizadas. O transplante de pulmão deve ser considerado para esses doentes.
REABILITAÇÃO PULMONAR
Há benefícios com reabilitação pulmonar para os pacientes com FPI, mas eles são menores que aqueles obtidos na DPOC e por tempo mais limitado. Os que mais se beneficiam são os pacientes com melhor CVF e menor dessaturação teste da caminhada de 6 minutos. Doentes com níveis de dispneia MRC 4 e 5 possuem as piores respostas.
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