Data de Publicação: 05/05/2026

A Global Initiative for Asthma, GINA, publicou o novo GINA 2026 Strategy Report, documento internacional de referência para diagnóstico, tratamento e prevenção da asma.
A atualização deste ano traz mudanças relevantes para a prática clínica, com destaque para o manejo da asma aguda, o fortalecimento do conceito de alívio anti-inflamatório e novas orientações para pacientes com asma grave.
Em comparação ao GINA 2025, que havia enfatizado biomarcadores de inflamação tipo 2, diagnóstico em pré-escolares e reorganização do tratamento infantil, o GINA 2026 tem perfil mais operacional. O documento avança em recomendações aplicáveis diretamente à atenção primária, pronto atendimento, emergência e seguimento após exacerbações.
Uma das principais novidades é a criação de quatro novos fluxogramas para avaliação, tratamento e seguimento de pacientes com exacerbação ou asma aguda.
Eles contemplam adultos, adolescentes e crianças de 6 a 11 anos na atenção primária e nos serviços de urgência, além de crianças de 5 anos ou menos nesses mesmos cenários.
A proposta é padronizar a avaliação da gravidade, a sequência de tratamento e os critérios de alta e acompanhamento. Para pacientes até 17 anos, o documento recomenda o uso de escores clínicos validados, como o Pediatric Respiratory Assessment Measure, PRAM.
O GINA 2026 também revisa o uso de oxigênio suplementar. De modo geral, o documento não recomenda oxigênio se a saturação estiver igual ou acima de 92%. Quando o xigênio for indicado em adultos, adolescentes e crianças de 6 a 11 anos, o alvo superior de saturação passa a ser 95%.
Outra mudança importante é a orientação para uso mais conservador de beta-2 agonistas de curta ação, os SABAs, durante exacerbações. A GINA destaca o risco de toxicidade por doses excessivas, incluindo acidose láctica, que pode simular piora respiratória e levar a novas administrações desnecessárias de broncodilatador.
O documento passa a incluir a associação de corticoide inalatório (CI)-formoterol como opção para adultos, adolescentes e crianças de 6 a 11 anos com exacerbação leve, tanto na atenção primária quanto na emergência, como alternativa ao SABA inalatório.
Essa recomendação reforça um dos conceitos centrais da atualização: a crise deve ser vista também como oportunidade para corrigir ou iniciar tratamento anti-inflamatório adequado.
Antes da alta, a GINA recomenda revisar o tratamento, confirmar diagnóstico sempre que possível, checar técnica inalatória, adesão, plano de ação e risco de novas exacerbações.
O GINA 2026 enfatiza que uma única exacerbação com necessidade de atendimento urgente ou corticosteroide oral já deve ser considerada um sinal de alerta.
Nesses casos, não basta tratar o episódio agudo. É necessário revisar a estratégia de controle da asma e reduzir o risco futuro.
O documento também reforça o conceito de OCS stewardship, com foco em reduzir o uso repetido ou desnecessário de corticosteroides orais, otimizando tratamento inalatório e considerando terapias avançadas quando apropriado.
A atualização amplia o papel das medicações de alívio que também tratam a inflamação das vias aéreas.
Em crianças de 6 a 11 anos, o GINA 2026 incorpora evidências do estudo CARE, no qual budesonida-formoterol em baixa dose, usada sob demanda, reduziu o risco de exacerbações moderadas a graves em comparação ao SABA isolado.
Em adultos e adolescentes, o Track 1 com CI-formoterol permanece como abordagem preferencial quando disponível. A novidade é que o Track 2 passa a incluir CI-SABA como opção de alívio anti-inflamatório já no Step 1, com base no estudo BATURA, que mostrou redução de exacerbações graves em comparação ao SABA isolado.
Na prática, a mensagem é clara: o alívio da asma deve, sempre que possível, também oferecer proteção anti-inflamatória.
O GINA 2026 também atualiza a seção de asma grave.
Entre as novidades estão a inclusão do omalizumab-igec, biossimilar anti-IgE, e do depemokimab, anti-IL5 de longa ação administrado a cada 26 semanas, aprovado para asma eosinofílica grave a partir de 12 anos.
O documento também refina a escolha entre biológicos, valorizando critérios como elegibilidade local, preditores de resposta, comorbidades, custo, via de administração, frequência de doses e preferência do paciente.
Outro ponto prático da atualização é o reforço da técnica inalatória. O GINA 2026 detalha o uso de pMDI com espaçador e lembra que dispositivos formulados como suspensão devem ser agitados imediatamente antes de cada acionamento.
O documento também destaca novas ferramentas de avaliação, como o CAAT, o Peds-AIRQ e o PRAM, que podem auxiliar na avaliação de sintomas, risco e gravidade em diferentes faixas etárias.
A atualização consolida uma mudança que vem sendo construída nos últimos anos: a asma não deve ser tratada apenas pelo alívio imediato dos sintomas, mas pelo controle da inflamação e pela prevenção de crises.
Para a prática clínica, os principais recados são:
O GINA 2026 reforça uma mensagem essencial para médicos e pacientes: tratar a asma é aliviar sintomas, mas também reduzir o risco futuro de exacerbações, internações e mortes evitáveis.