A MAIORIA DOS CÂNCERES NÃO SE DEVE A FATORES AMBIENTAIS OU HEREDITÁRIOS
Data de Publicação: 08/01/2015

Os resultados de um estudo publicado na Science sugerem que apenas um terço do risco de câncer entre os tecidos pode ser atribuído a fatores ambientais ou a predisposições genéticas. A maioria dos cânceres pode ser atribuída à "má sorte", isto é, mutações aleatórias que surgem durante a replicação do DNA em células-tronco normais, não cancerosas, no seu processo de autorrenovação na manutenção da homeostase desse tecido.
As conclusões dos pesquisadores vieram após compararem a taxa de divisão de células-tronco em 31 tipos de tecidos com risco médio para certos tipos de câncer nos EUA (cânceres de mama e de próstata foram excluídos). A correlação entre o número de divisões de células tronco e o risco de câncer foi "impressionante", com 65% das diferenças de risco entre os diversos tecidos atribuíveis ao número de divisões celulares das células tronco nesses tecidos.
Apesar dessas conclusões, os autores alertam que o pulmão, pele e alguns outros tipos de câncer estão fortemente associados com fatores como o tabagismo e a exposição à luz solar e as pessoas ainda devem tentar minimizar esses comportamentos.
Os autores esperam que as descobertas levem a um maior foco na detecção precoce de tumores malignos que são menos influenciados por mudanças de estilo de vida. Isso é importante não só para a compreensão da doença, mas também para a concepção de estratégias destinadas a limitar a mortalidade.
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FONTE: Tomasetti C, Vogelstein B. Science, 2015; 6217 (347): 78-81. DOI: 10.1126 / science.1260825