DESTAQUES DO CHEST 2015: ATUALIZAÇÃO EM ASPERGILOSES PULMONARES
Data de Publicação: 09/11/2015

Mesa redonda no CHEST 2015 revisou o diagnóstico e o tratamento das principais formas de aspergiloses pulmonares. Resumimos as principais informações referentes à Aspergilose Broncopulmonar Alérgica e à Aspergilose Invasiva.
ASPERGILOSE BRONCOPULMONAR ALÉRGICA
Os desafios diagnósticos na Aspergilose Broncopulmonar Alérgica (ABPA) são que nenhum teste isoladamente pode diagnosticar a doença, assim como não existe um algoritmo único para o diagnóstico. Quanto ao tratamento, recomenda-se corticoterapia em dose moderada (prednisona 0,5-1mg/kg) por 6 meses, reduzindo-se lentamente em 12 meses. A reavaliação deve ser feita a cada 6 semanas. Os antifúngicos (itraconazol e voriconazol) possuem eficácia variável e podem ser recomendados por 16 semanas, frequentemente associados a baixas doses de corticoides. O omalizumabe (anticorpo monoclonal anti-IgE) ainda não possuiu papel claro. Devem-se manter os tratamentos preconizados para asma. A remissão da doença com o tratamento é possível, mas recorrência é comum. Provas de função pulmonar e dosagem sérica de IgE devem ser realizadas a cada 6-8 semanas durante o tratamento e a cada 3-6 meses durante a remissão.
ASPERGILOSE INVASIVA
A Aspergilose Invasiva (AI) possui difícil diagnóstico. A biópsia transbrônquica não ajuda muito e eleva o risco de complicações. A biópsia cirúrgica (videotoracoscopia) é o padrão ouro, mas não é possível de ser realizada na maioria dos pacientes devid à alta morbidade e mortalidade.
Os critérios diagnósticos para a AI podem ser para doença provada, provável ou possível.
-AI provada: exame microscópico de material estéril onde são encontradas hifas acompanhadas de evidências de dano tecidual; cultura positiva de material estéril.
-AI provável: no mínimo um fator de risco para AI + no mínimo um achado tomográfico compatível com AI + Aspergillus sp no escarro ou lavado broncoalveolar (LBA); testes indiretos positivos (galactomanana no plasma, soro ou LBA.
A avaliação da Aspergilose Invasiva (AI) pelos biomarcadores galactomanana, 1,3-beta-D-glucan e o PCR para Aspergillus deve levar em conta que a sensibilidade e a especificidade desses métodos são dependentes de fatores do hospedeiro:
- pacientes não neutropênicos e em uso de antifúngicos podem apresentar falsos-negativos;
- pacientes em uso de piperacilina-tazobactam; ampicilina sulbactam podem ter reação cruzada com penicilium sp e levar a falsos-positivos.
- pacientes com GVHD, alguns quimioterápicos, certos alimentos (como cereais) e outras doenças fúngicas (ex. Histoplasmose) também podem apresentar falsos-positivos.
A galactomanana precede o diagnóstico de AI entre 6-14 dias e correlaciona-se com o prognóstico: pacientes com valores persistentemente elevados possuem pior prognóstico. O antifúngico de escolha para a AI é o voriconazol. A duração do tratamento da AI é influenciada por vários fatores, mas geralmente está ao redor de 12 semanas.
Leia mais sobre o papel da galactomanana para o diagnóstico da AI no PneumoImagem, clique aqui.