ESTUDO HOLANDÊS NÃO MOSTROU BENEFÍCIO NO RASTREAMENTO ANUAL POR TOMOGRAFIA PARA CÃNCER DE PULMÃO.
Data de Publicação: 18/03/2013

Os resultados dos 5 anos do estudo holandês Screening Trial Lung Cancer (DLCST) não mostraram benefício da mortalidade no rastreio anual para câncer de pulmão com tomografia computadorizada de tórax (TC). Houve a identificação de mais cânceres em estágio inicial através de triagem - "sobrediagnóstico" - mas de cânceres que talvez não teriam avançado ou sido letais.
Esses resultados estão em discordância com o estudo americano Screening Trial National Lung (NLST), que apresentou uma redução de aproximadamente 20% na mortalidade com o rastreamento pela TC, embora o sobrediagnóstico também é provável que tenha ocorrido neste estudo.
METODOLOGIA
Os investigadores holandeses randomizaram 4.104 ex-fumantes saudáveis ou atuais fumantes (20 ou mais anos/maço) com idade entre 50-70 anos para 5 TCs de tórax anuais ou não de rastreio. Os participantes não tinham diagnóstico de câncer, podiam subir 2 lances de escadas, peso<130 kg e VEF1> 30% do previsto.
No grupo de triagem, os resultados CT foram avaliados da seguinte forma:
• Nódulos< 5 mm: a TC foi repetida em um ano;
• Nódulos> 5 mm: nova TC a cada 3 meses.
• Nódulos> 15 mm e nódulos em crescimento (usando técnicas de imagem volumétricos): foram encaminhados para avaliação de acordo com um protocolo que favoreceu amostragem invasiva.
RESULTADOS
Os pacientes foram acompanhados por 5 anos e 69 cânceres do pulmão foram identificados no rastreio vs 24 no grupo de controle. O grupo de triagem apresentava tumor com estadiamento mais baixo na sua maioria (I-IIB: 70%) teoricamente curáveis, e apenas 30% em estágio avançado (III ou mais).
O grupo de controle tinha apenas oito tipos de câncer de pulmão em estágio inicial descobertas (33%) e 16 (67%) câncer de pulmão estágio superior.
No final do acompanhamento, 103 de 4.104 participantes tinham morrido (2,5%). A triagem não reduziu a mortalidade por todas as causas ou por câncer de pulmão:
• 61 morreram no grupo de triagem por todas as causas (2,97%); 42 morreram no grupo controle (2,05%), com uma forte tendência para o aumento da mortalidade no grupo de rastreio (p = 0,059).
• No grupo de triagem, 15 pessoas morreram de câncer de pulmão (0,73%), contra 11 no grupo controle (0,54%), não houve diferença estatística (p = 0,49).
DIFERENÇAS COM O ESTUDO AMERICANO
A maior e clara diferença entre os achados do DLCST holandes e do NSLT americano é o tamanho da amostra: o estudo americano envolveu 50.000 pessoas no rastreio, contra 4.000 para a DLCST. Uma amostra com tamanho 10 vezes maior poderia mudar as conclusões do DLCST. Também haviam outras diferenças nos protocolos dos estudos para gerenciar nódulos grandes ou crescentes (Thorax 2012;67:296-301).
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