CIPROFLOXACINO EM PÓ INALATÓRIO PODE REDUZIR EXACERBAÇÕES EM BRONQUIECTASIAS POR FIBROSE CÍSTICA
Data de Publicação: 11/02/2017

Para pacientes com bronquiectasias por fibrose cística (FC), uma forma de ciprofloxacino em pó inalado pode reduzir significativamente a frequência das exacerbações. Esses são resultados da RESPIRE 1, ensaio clínico de fase 3. Esse é o primeiro grande estudo randomizado de antibiótico inalado duplo-cego, que sugere a eficácia dessa apresentação em bronquiectasia FC. Até o presente momento, existem apenas alguns antibióticos inalatórios para essa doença e a disponibilidade é limitada pelo custo.
Foram randomizados 416 adultos a um dos três grupos durante 48 semanas: ciprofloxacina inalado duas vezes por dia em 12 ciclos de 14 dias e 14 dias de folga; ciprofloxacina duas vezes ao dia em seis ciclos de 28 dias e 28 dias de folga; e placebo.
Todos os participantes do estudo tinham sido tratados por pelo menos duas exacerbações nos últimos 12 meses, e todos tinham uma cultura positiva para um dos sete organismos: Pseudomonas aeruginosa, Haemophilus influenzae, Moraxella catarrhalis, Staphylococcus aureus, Streptococcus pneumoniae, Stenotrophomonas maltophilia e Burkholderia cepacia .
Durante o período de estudo de 48 semanas, o número de exacerbações foi significativamente menor com o regime de 14 dias do que com placebo (hazard ratio ajustado [AHR], 0,53; P = 0,0005). O número também foi menor com o regime de 28 dias do que com placebo, mas a diferença não foi significativa (AHR, 0,73; P = 0,0650).
As taxas de eventos adversos emergentes do tratamento graves foram semelhantes com o regime de 14 dias, o regime de 28 dias, e de placebo (16,9% vs 19,9% vs 23,4%). As taxas de descontinuação relacionadas com esses eventos foram baixas e bem distribuída entre os três grupos.
Os dados sobre eventos adversos respiratórios - incluindo broncoespasmo e hemoptise - também foram baixas. Taxas de interrupção por causa de eventos adversos respiratórios foram semelhantes: 6% para os grupos de ciprofloxacina e cerca de 8% para o placebo. Não houve casos de tendinite ou ruptura de tendão.
Como conflito de interesses, o estudo foi patrocinado pela Bayer e alguns dos pesquisadores receberam honorários de consultoria da empresa.
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FONTE: European Respiratory Journal 2016 48: OA272; DOI: 10.1183/13993003.congress-2016.OA272