INDISPONIBILIDADE DE PPD PARA REALIZAÇÃO DO TESTE TUBERCULÍNICO NO BRASIL
Data de Publicação: 11/11/2014

Em junho de 2014 o Programa Nacional de Controle da Tuberculose (PNCT) do Ministério da Saúde (MS) encaminhou às coordenações dos programas estaduais de tuberculose um Ofício Circular comunicando a dificuldade de aquisição do PPD (Derivado Proteico Purificado: PPD RT23 2UT/0,1mL frasco ampola de 1,5mL) pelo Ministério da Saúde. A razão apresentada foi a suspensão da produção do PPD em nível mundial por dois laboratórios e não há previsão para normalização desse abastecimento.
Os testes de detecção de gama-interferon (IGRAs) são alternativas para o TT para diagnóstico da infecção latente tuberculosa (ILTB). Os IGRAs avaliam in vitro a liberação de gama interferon quando os linfócitos do paciente são expostos a dois ou três antígenos relativamente específicos do M. tuberculosis. Esses antígenos não são encontrados nem no BCG nem na maioria das micobactérias não tuberculosas (MNT) e, portanto a possibilidade de falsos-positivos é significantemente menor com os IGRAs. Por outro lado, para realização dos testes IGRAs é necessária coleta de sangue, são mais caros, exigem estrutura laboratorial e podem apresentar “resultados indeterminados”. Atualmente, dois tipos comerciais de IGRAs estão disponíveis: o QuantiFERON-TB Goldin-tube e o T-SPOT TB. Na verdade, o TT e os IGRAs não são ferramentas infalíveis para diagnóstico de ILTB e, sim, marcadores de resposta imune celular à exposição ao M. tuberculosis.
Apesar das vantagens teóricas dos IGRAs, há poucas evidências acumuladas de que o resultado do IGRA positivo represente um real preditor de desenvolvimento futuro de TB ativa Por outro lado, os IGRAs representam atualmente a única ferramenta disponível para diagnóstico de ILTB no atual cenário de indisponibilidade temporária de PPD.
A Comissão de Tuberculose da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT) elaborou um informativo técnico orientando os médicos como proceder na falta do PPD em caso de investigação das formas latentes da tuberculose, especialmente para os candidatos a usar imunobiológicos. O resumo dessas orientações encontra-se abaixo.
• Todos os pacientes com indicação de uso de imunobiológicos devem ser submetidos à avaliação de TB ativa e ILTB. Na ausência temporária no Brasil do insumo para realização de Prova Tuberculínica (PPD), o diagnóstico da ILTB em candidatos ao uso de imunobiológicos deve ser realizado, se houver disponibilidade local, pelo IGRA.
• O IGRA tem a acurácia semelhante à Prova Tuberculínica no diagnóstico da ILTB, entretanto é mais caro e demanda infraestrutura laboratorial e pode fornecer resultados indeterminados.
• Considerando o grande benefício do tratamento da ILTB na prevenção da TB-doença em candidatos ao uso de imunobiológicos, o tratamento profilático deve ser recomendado a esses doentes. Na impossibilidade de realização de IGRA (principalmente devido ao custo e indisponibilidade do exame no local), a avaliação individual de cada caso pelo pneumologista deve ser realizada, considerando principalmente o contexto local de carga da doença e história de contato prévio com TB. Não havendo contra-indicação absoluta (por exemplo, história de hepatite) ao uso da Isoniazida, o tratamento da ILTB pode ser realizado também nesses casos no atual cenário de indisponibilidade do PPD.
• O uso concomitante de outros medicamentos com potencial hepatotoxicidade não deve se constituir em contra-indicação absoluta para o uso da Isoniazida. Nesses pacientes, controles quinzenais de enzimas hepáticas e acompanhamento médico mais frequente dos sintomas devem ser recomendados.
• O uso de imunobiológicos deve ser iniciado, preferencialmente, após quatro semanas de início do tratamento da ILTB.
• Importante ressaltar a necessidade de se afastar de forma decisiva a TB- doença antes do início do tratamento da ILTB.
Devido à dificuldade de aquisição do PPD em todo o país, o PNCT do MS elaborou uma nota técnica, em agosto deste ano, versando sobre recomendações para controle de contatos e diagnóstico de tuberculose latente na ausência transitória do PPD. O Informativo Técnico da Comissão de Tuberculose da SBPT foi divulgado nesta semana de novembro.
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